Placa em homenagem ao “Olavo de Carvalho” da ditadura Pinochet é encontrada em lixão no Chile – Forum

A demolição do modelo neoliberal no Chile ainda não está consolidada, mas o clima para que isso aconteça é evidente e está cheio de elementos simbólicos, como o que aconteceu nesta semana, na cidade de Antofagasta, no extremo norte do país.

Na manhã de segunda-feira (16), um grupo de trabalhadores da limpeza pública encontraram no lixão municipal uma enorme placa de mármore com uma homenagem ao falecido senador Jaime Guzmán, fundador do partido pinochetista UDI (União Democrata Independente).

A placa foi roubada no ano de 2013, dias depois da inauguração de um monumento em homenagem a Guzmán, localizado nesta cidade do litoral norte do Chile. O roubo da placa foi atribuído a um coletivo artístico chamado “Pantera Pro”, mas jamais se conseguiu comprovar a autoria da ação.

Jaime Guzmán foi uma figura das mais controversas da história do Chile. Além de fundador da UDI, foi a principal figura civil da ditadura de Augusto Pinochet. Jamais teve um cargo no governo, mas era considerado eminência parda no Palácio de La Moneda, uma espécie de Olavo de Carvalho do pinochetismo. Algumas lendas afirmam que a atual constituição chilena, imposta pelo ditador em 1980, foi toda ela escrita por Guzmán.

O único cargo político de Guzmán foi o de senador, para o qual foi eleito em 1989, após o retorno da democracia. Em 1991, ele foi assassinado por membros do grupo guerrilheiro FPMR (Frente Patriótica Manuel Rodríguez), que ainda eram perseguidos pelo Exército, apesar do fim da ditadura – lembrando que Pinochet continuou sendo comandante-chefe do Exército até o ano de 1998, quando foi preso em Londres. Sua morte o transformou em um mártir da direita chilena.

O presidente regional da UDI em Antofagasta, Diego Fernández, afirmou que o partido entrará na Justiça para “responsabilizar as pessoas que danificaram o patrimônio público e também privado, no que diz respeito à imagem de Jaime. Queremos dar um sinal à cidadania de que não vamos permitir que a violência tome conta das ruas e da nossa sociedade, através de atos vandálicos e antidemocráticos como esse”.

Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde

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